Enfatizando a Identidade de Jesus

Nos últimos anos houve um significativo aumento na importância que se dá ao ajudar o aconselhado a entender sua identidade EM Cristo. Nós recebemos com alegria essa ênfase (ou melhor, muitos de nós), reconhecendo que essa é uma importante ênfase das Escrituras. Falando na prática, quando a pessoa entende sua identidade, ela se dispõe a amar porque é amada por Jesus; ela se dispõe a responder com graça, pois é assim que Jesus responde a ela; e ela se dispõe a ser compassiva e misericordiosa, pois foi isso que ela recebeu de Cristo.

A Identidade DE Cristo

Mas a Bíblia não só enfatiza a nossa identidade EM Cristo, mas também a identidade DE Cristo. Gostaria de sugerir que quanto mais refletirmos sobre a identidade DE Jesus, mais iremos apreciar Jesus, e mais desejaremos correr para Jesus em meio aos nossos sofrimentos, e mais estaremos abertos para amar Jesus com toda a nossa mente, alma e força (Mateus 22.37), e mais responderemos como Jesus em meio aos desafios e vitórias.

Apesar de a identidade DE Jesus ser apresentada em diversas passagens do Novo Testamento, o lugar principal é nos quatro Evangelhos. João explica que a razão dele escrever é “para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome”. Em outras palavras, um dos dois principais propósitos do evangelho de João é para que você saiba a identidade DE Jesus.

De forma parecida, Lucas explica que seu livro se deve ao propósito de ter “plena certeza das verdades em que foste instruído”. Apesar da afirmação de Lucas ir além da identidade DE Jesus na expressão “verdades em que foste instruído”, é necessária apenas uma leitura superficial do livro de Lucas para entendermos que a identidade DE Jesus é crucial para seu propósito.

Mateus cita o Antigo Testamento em inúmeras ocasiões com o fim de provar que Jesus é o Messias. Por fim, Marcos também inicia seu evangelho, não com uma afirmação a respeito do nascimento de Jesus, mas com a citação de Isaías 40:3 e Malaquias 3:1 que mostram Jesus como Messias, o Filho de Deus.

Algo que pode ser útil é lembrar que todos os Evangelhos foram escritos algum tempo depois dos eventos ocorridos (25–60 anos). Em alguns casos (Marcos, por exemplo), os Evangelhos não foram primariamente evangelísticos. Eles foram escritos para fortalecer a fé daqueles que já carregavam o nome de Cristo. Ou seja, Deus considerou importante para os crentes que refletissem sobre a identidade DE Jesus.

Verdades Sobre a Identidade

Embora um único texto não seja suficiente para abordar a identidade DE Jesus nos Evangelhos, algumas das verdades mais centrais sobre sua identidade são:

  1. Jesus é Yahweh (o nome de Deus usado na aliança do Antigo Testamento). As riquezas dessa expressão são praticamente ilimitadas. Israel teve contínuas dificuldades para manter suas responsabilidades da aliança. A aliança teve de ser reafirmada em várias ocasiões e, na impactante metáfora, Israel foi a idólatra Gômer, enquanto Yahweh se mostrou gracioso e resgatador como Oséias—uma história de amor na qual o amor fluiu somente em uma direção.
  2. Jesus é o Messias. Jesus é o libertador e o redentor do seu povo.
  3. Jesus é o Filho de Deus e o Filho do Homem. Esses títulos adquirem seu valor a partir do Antigo Testamento, que os define. Jesus é aquele que recebe o reino do Pai.
  4. Jesus é o Servo Sofredor. Os cantos do servo em Isaías são cumpridos na pessoa de Jesus.
  5. Jesus é Deus por que ele faz coisas que somente Deus pode fazer. Ele perdoa pecados, exerce autoridade sobre a Lei Mosaica (o sábado), e de fato a revoga.
  6. Jesus é o nosso substituto. Todos os quatro Evangelhos dedicam cerca de 25% de seu conteúdo para explicar a morte, sepultamento, ressurreição e aparições de Jesus. Jesus pagou por nossos pecados e humildemente suportou a ira de Deus que era sobre nós.

Enamorado por Jesus

Em nossos ministérios de aconselhamento e de ajuda mútua, as pessoas precisam estar enamoradas com Jesus. Elas precisam amar a Jesus mais do que qualquer outra coisa. É o amor delas por Jesus que vai motivá-las a uma mudança radical de comportamento (graça ao invés de ira, compaixão ao invés de raiva, misericórdia ao invés de julgamento, amor ao invés de ódio, e perdão ao invés de ressentimento). Os Evangelhos, responsáveis por mais de 40% da literatura do Novo Testamento (em número de palavras), nos mostram que um dos meios de cumprir com essa tarefa é enfatizar a identidade DE Jesus. Sigamos esse exemplo.

Participe da Conversa

Como você tem usado os Evangelhos para ajudar seus aconselhados a conhecer e amar mais a Jesus?

[Esse texto foi escrito pelo Dr. Rob Green e originalmente publicado no blog da Biblical Counseling Coalition. Tradução feita por Lucas Sabatier.]

Escrito por Lucas Sabatier

Lucas Sabatier serve como pastor auxiliar na Comunidade Evangélica de Maringá, Paraná. É advogado, formado em Direito pela PUC de São Paulo, e mestre em divindade pelo Faith Bible Seminary (Lafayette–IN, EUA). É também conselheiro certificado pela ACBC (Association of Certified Biblical Counselors) e mestrando em teologia prática pelo Southern Baptist Theological Seminary (Louisville–KY). É casado com a Isabella e pai da Ana Luisa.

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