Esperança para o Cansado: Vendo a Luz do Amor em Meio à Escuridão da Demência

Meu pai está morrendo.

Posso olhar para a última década e ver que demência que lhe aflige se iniciou a cerca de 10 anos, apesar de não a termos identificado então. De fato, apenas em 2011 percebemos essa terrível doença ter seus primeiros avanços.

De acordo com a Associação de Alzheimer, o Alzheimer e outras demências afetam atualmente mais de 5 milhões de pessoas só nos Estados Unidos. O crescimento populacional trará um aumento exponencial a esse número. As famílias dos que sofrem com Alzheimer ou outra demência terão que lidar com a situação em que meus irmãos e eu nos encontramos agora.

Certamente há muitas, muitas doenças que causam sofrimento e miséria, mas nenhuma como a demência relacionada com a idade e sua “gêmea” maligna, a doença de Alzheimer. Essas condições roubam lentamente memórias e habilidades de uma pessoa à medida que as placas e os emaranhados atravessam o cérebro. Assim, pessoas saudáveis perdem sua capacidade de funcionar normalmente. Eles primeiro perdem sua memória de curto prazo, depois suas memórias de longo prazo, e, então, sua capacidade de realizar as tarefas mais básicas. Eles se tornam, em muitos aspectos, bebês em corpos de adultos.

Precisando de esperança

O ministério daqueles que cuidam de pessoas com doença de Alzheimer/demência é uma arena permeada por um intenso nevoeiro de emoções e tristezas, que carece de esperança. Mesmo quando chega a hora de colocar seu ente querido em uma instalação de repouso e cuidado médico, o trabalho do cuidador vai até certo ponto. Enquanto as demandas físicas são atendidas pela equipe profissional, os membros da família continuam a fornecer um importante vínculo entre seus entes queridos e a equipe, muitas vezes atuando como advogados. Mesmo para um assistente de cuidador, o esvair-se diário de seu ente querido é deprimente de presenciar. Sua mãe ou seu pai se tornam alguém que você nunca conheceu, às vezes com mudanças surpreendentes de personalidade e, muitas vezes, vomitando palavras que machucam. Sua capacidade de argumentar desaparece e eles retornam a agir como crianças pequenas, que apenas querem as coisas do seu jeito, não importando qualquer risco ou perigo. Eles podem se tornar violentos e agredir fisicamente aqueles que tentam ajudá-los, pois estão em um lugar de sua mente que não é realidade.

Muitos cuidadores, em algum momento, dizem que se sentem absolutamente sozinhos, que ninguém realmente entende o que estão passando. Eles vivem em uma espécie de desespero silencioso, sentindo-se sozinhos e desamparados, mesmo que estejam em uma sala cheia de pessoas fazendo sugestões para ajudar.

A minha alma, de tristeza, verte lágrimas; fortalece-me segundo a tua palavra.” Salmo 119.28

Encontrando conforto

Se você está passando por esse tipo de prova, recomendo enfaticamente que você mergulhe nos Salmos, especialmente nos salmos de lamentação. Descobri grande conforto ao orar a Deus suas próprias palavras inspiradas. Essa se tornou uma das maneiras mais eficazes de aliviar meu coração ansioso, triste e cansado.

O Salmo 77 é especialmente útil para o cuidador meditar. O salmo começa com perguntas e questionamentos que surgem em tempos como esses, e voltam-se para a lembrança da fidelidade de Deus. Isso traz grande conforto.

Há um fardo ainda maior quando o seu ente querido não foi ainda regenerado. Os membros crentes da família, já desgastados do cuidado cada vez maior que seus entes queridos demandam, são duplamente sobrecarregados, pois entendem que a miséria atualmente sofrida pode ser apenas o começo do sofrimento para essa pessoa. Eles precisam de esperança.

O sofredor de demência não regenerado pode ter ouvido e rejeitado o evangelho várias vezes nos anos anteriores, e você pode pensar que toda a esperança de salvação para eles está perdida. Não hesite em falar de Deus com seu amado. Aponte-os para Deus em todas as oportunidades. Fale frequentemente sobre quem é Deus e o que Ele fez, e também sobre a salvação em Cristo. Leia a Bíblia para ele. Cante hinos simples, mas significativos, com ele. A Palavra de Deus é poderosa e pode penetrar a neblina do seu pensamento. E ore. Ore para que o Espírito Santo os faça clamar por Deus.

Encontrando esperança

Gostaria de encorajá-lo, lembrando-lhe que, apesar do seu ente querido ter sido “perdido” para Alzheimer/demência, ele ou ela nunca um caso perdido aos olhos de Deus. O Deus que os criou pode acessar a lugares do homem interior em que nenhum ser humano consegue chegar. Você pode ter a certeza de que, querendo Deus chamá-los para Si, eles não serão deixados em seus pecados. Talvez nunca saberemos a resposta deles nessa vida, mas podemos confiar que nosso Deus amoroso é paciente e não quer que ninguém se perca (2 Pedro 3.9).

Pois tu, Senhor, és bom e compassivo; abundante em benignidade para com todos os que te invocam.” Salmo 86.5

[Este post, de autoria de Julie Ganschow, foi originalmente publicado no blog da Biblical Counseling Coalition. Traduzido por Lucas Sabatier e republicado mediante autorização.]

Escrito por Lucas Sabatier

Lucas Sabatier é conselheiro certificado pela ACBC (Association of Certified Biblical Counselors) e mestrando em teologia prática pelo Southern Baptist Theological Seminary (Louisville–KY). É também advogado, formado em Direito pela PUC de São Paulo, e mestre em divindade pelo Faith Bible Seminary (Lafayette–IN, EUA). É casado com a Isabella, e pai da Ana Luisa e da Sophie.

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