Germes e Preocupação: Nova Pesquisa!

Como médico e conselheiro bíblico, às vezes me perguntam sobre artigos científicos que lidam com assuntos de aconselhamento. Normalmente, o motivo que me perguntam é fruto de um artigo que parece contrariar algo que a Bíblia diz sobre um problema de aconselhamento. Esta semana, o assunto era ansiedade. A questão geralmente é, se a ciência descobrir uma causa de ansiedade que é médica, como pode ser pecado se preocupar?

ScienceDaily.com é a minha fonte favorita de artigos científicos que afetam o aconselhamento bíblico. Recentemente, eles resumiram um artigo interessante que discute a relação entre ansiedade e bactérias que habitam nosso sistema digestivo. Os pesquisadores detalharam como a codificação genética de RNA que ocorreu no cérebro era diferente em camundongos cujos intestinos eram “sem germe”. Isso foi feito dando aos camundongos um coquetel de antibióticos que são frequentemente usados ​​em seres humanos, o que matou a bactéria em seus intestinos.

A pesquisa comparou os ratos que foram tratados com ratos que não foram. Os pesquisadores descobriram que o RNA era diferente em duas áreas do cérebro que afetam a preocupação. E, como a ciência geralmente faz, um grande salto foi dado. Talvez o que comemos e as bactérias que habitam em nós tenham um impacto em coisas como transtorno de ansiedade generalizada. Talvez tudo o que precisamos para superar o transtorno de ansiedade generalizada é uma mudança em nossa dieta.

Então, agora parece que a ciência médica está batendo à porta de outra descoberta que pode explicar por que alguns indivíduos lutam com a ansiedade. Talvez não seja o estresse que o esteja consumindo, mas o que você está consumindo. Ou podem ser os antibióticos que você está tomando que afetam as bactérias que crescem no seu aparelho digestivo.

Isso coloca conselheiros bíblicos em uma posição difícil. A Bíblia fala sobre ansiedade e preocupação em termos claros. Jesus nos diz em Mateus 6 para não nos preocupar com alimentos, roupas, saúde ou duração da vida. Ele promete que Deus conhece nossas necessidades e cuidará delas. Implícito no comando de não nos preocuparmos está a compreensão de que o que Deus nos pede para fazer, Ele também nos capacita a fazer. Então, se posso fazer todas as coisas através de Cristo que me fortalece, então deveria poder escolher não me preocupar, certo?

Paulo nos diz o mesmo em sua carta aos Filipenses, quando escreve: “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus” (Filipenses 4.6–7). Novamente, se Deus nos dá o comando para não nos preocuparmos, não nos capacitaria para isso?

A Bíblia nos diz para não nos preocuparmos usando termos que tornem a preocupação desobediência e, assim, o pecado. A medicina parece estar nos dizendo que a ansiedade é uma doença que pode residir no controle de nossas bactérias intestinais. Então, o que deve um conselheiro fazer? A resposta pode não ser tão difícil quanto parece.

Os sintomas não fazem uma doença!

 Primeiro, os sintomas físicos não configuram uma doença. Eles podem acompanhar uma doença. Eles podem estar presentes em várias doenças. Indivíduos com batimentos cardíacos rápidos, falta de ar, perda de peso e insônia podem ter muitas doenças específicas, desde hipertireoidismo até diabetes. Outros podem ter muitos dos sintomas que o DSM5 chamaria de transtorno de ansiedade, mas nunca ficar preocupados.

Segundo, indivíduos podem ter todos os mesmos sintomas e não ter uma doença facilmente diagnosticada. Com isso, eles podem ser enquadrados na categoria do DSM5 de transtorno de ansiedade generalizada. Você parece ansiosa ou preocupada, mas não consegue me dizer o porquê.

Em terceiro lugar, ter os sintomas físicos da ansiedade não constitui pecado. Nosso Senhor nos disse especificamente para não nos preocuparmos e com o que não se preocupar. Alimentos, roupas, bens, abrigo, saúde e uma longa vida estavam na lista. A preocupação ou ansiedade se torna pecado quando temos algo que é mais importante para nós do que confiar e adorar nosso Senhor.

A preocupação pecaminosa tem um objeto identificável

 A preocupação pecaminosa tem um objeto identificável e a Bíblia tem a cura. Normalmente, isso tem início com uma mudança de objetivo das coisas desta vida, segurança, ou recuperação de perdas. Esse objetivo deve ser glorificar, amar, obedecer, adorar e servir a Deus e a outros. Este objetivo se torna o que gosto de referir com uma frase que muitas vezes peço para que meus aconselhados memorizem: eu quero glorificar a Deus com minha vida mais do que eu quero respirar, mais do que quero aquilo com que me preocupo.

Aqueles que têm os sintomas de ansiedade sem qualquer objeto conhecido precisam de uma checagem médica completa. Qualquer conselheiro precisa ter uma boa relação de trabalho com médicos de confiança. E aconselhados com preocupações e tristezas inexplicáveis ​​precisam visitar um.

Não há razão para temer a verdade!

 A ciência médica continua a marchar, e não temos motivos para ter medo de qualquer verdade que possa encontrar. Esperamos que ela descubra respostas para coisas como transtorno de ansiedade generalizada. É difícil dizer neste ponto, mas, quem sabe, talvez ela acabe por ter alguma relação com a dita “saúde intestinal”. Se for determinado que uma alteração dos germes em nossos intestinos está mudando o modo como nossos cérebros funcionam, então podemos atribuir um nome específico para tal doença, desenvolver testes e o tratamento curativo.

Por outro lado, para a grande maioria dos preocupados que têm coisas específicas com as quais lutam, há uma resposta agora. Como Jesus disse: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mateus 11.28–30).

Pergunta para reflexão

 Quando você vê um artigo ou notícia que trata de um assunto comum a medicina e aconselhamento, como você reage? Você dá oportunidade para ouvir com a atitude de Provérbios 18.13?

Quando alguém lhe diz que está lutando com preocupação, o que você presume sobre essa pessoa e sua luta?

[Este post, de autoria de Charles Hodges, foi originalmente publicado no blog da Biblical Counseling Coalition. Traduzido por Lucas Sabatier, e republicado mediante autorização.]

Escrito por Lucas Sabatier

Lucas Sabatier é conselheiro certificado pela ACBC (Association of Certified Biblical Counselors) e mestrando em teologia prática pelo Southern Baptist Theological Seminary (Louisville–KY). É também advogado, formado em Direito pela PUC de São Paulo, e mestre em divindade pelo Faith Bible Seminary (Lafayette–IN, EUA). É casado com a Isabella, e pai da Ana Luisa e da Sophie.

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Este artigo tem 1 comentário

  1. fabio Responder

    Fantástico! Parabéns pela postagem. Um assunto importante e relevante para os conselheiros bíblicos.

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