Lidando com Pessoas que Falam Demais

Tanto em conversas informais, quanto em sessões formais de aconselhamento, é capaz que nos deparemos com o desconfortável dilema: Como é possível lidar como meu aconselhado que domina conversa inteira, falando sem parar?

Você conhece esse tipo de pessoa. Talvez eles deem detalhes minuciosos e desnecessários sobre um incidente recente. Talvez eles compartilhem muitos detalhes de sua autoanálise excessivamente introspectiva. Ou suas mentes simplesmente vagam de um tópico a outro, movendo-se entre assuntos, levando você por uma série de caminhos paralelos.

Razões pelas quais aconselhados falam muito

Porque alguns aconselhados falam incessantemente? Algumas pessoas são solitárias, sentem falta de um amigo próximo, de um cônjuge atencioso, ou de um companheiro de quarto sociável. Você é a pessoa que escuta de forma amorosa. Talvez eles não tenham habilidades para se socializar, não sabendo a hora em que devem parar de falar e deixar que você interaja. O constrangimento social é marca de muitos dos nossos aconselhados. Talvez eles só processem informações quando falam e, assim, precisam pensar em voz alta para formar suas ideias e organizar suas mentes confusas.

Alguns aconselhados podem se sentir ansiosos com a sessão, desconfortáveis com o silêncio que você, como um ouvinte atento, pode causar. Talvez eles tenham medo do que você pode dizer a eles. Eles mantêm o controle da conversa para evitar qualquer resposta sua que possa desafiá-los ou desestabilizá-los. Talvez eles desejam profundamente que você entenda perfeitamente cada detalhe da situação deles. Eles temem que um fato omitido ou uma ênfase errada possa deixá-lo com uma má impressão deles, ou que isso resulte em um conselho incompleto.

Resumindo, as razões para a fala excessiva são tantas quanto as infinitas palavras que a pessoa possa dizer.

Respostas erradas

Como devemos lidar com essas situações? A tentação de entrar em um processo passivo de audição é quase irresistível. Diante de pessoas que falam muito, nós entramos naturalmente no piloto automático—parecemos interessados por fora, mas por dentro nós apenas suportamos aquele falatório interminável. Cheios de tédio, esperamos que a pessoa dê uma pausa e nos deixe falar. “Lá vamos nós outra vez”, pensamos, “mais uma longa jornada a seguir”. Nos desligamos rapidamente.

A outra opção, frequentemente baseada em frustração e ira, pode ser ainda pior. Perdemos a paciência. “Isto já foi longe demais”, concluímos. Então, quando não conseguimos mais suportar, com os olhos no relógio, interrompemos de forma rude: “Maria, deixe-me dizer algo”. Ao fazer isso, arriscamos perder qualquer relação de cuidado que tenhamos cultivado.

Uma abordagem melhor

Qual a melhor forma de responder a pessoa que fala muito?

Para usar uma metáfora, imagine que você está sentado no gramado ao centro de uma pista de corrida. A pessoa que fala muito é como um carro na pista, que circula com o carro em alta velocidade ao seu redor. Enquanto você assiste passivamente, ele dá voltas ao seu redor repetidamente. O que você deve fazer? Você precisa deixar a passividade, aproximar-se do carro em alta velocidade e pular no assento do passageiro.

De forma metafórica, você salta para dentro do carro quando começa a escutar de forma ativa. Resista a sua passividade e as inclinações frustrantes e, intencionalmente, dê respostas que demonstrem sua escuta ativa, de forma visível e audível. Você pode fazer isso de forma corpórea, inclinando-se para a frente, intensificando o contato visual, e acenando com a cabeça de forma mais vigorosa. Ou até mesmo oralmente com frequentes “uhum”, “sim”, “hmm”, “entendo”.

Ao demonstrar uma escuta ativa você ganha envolvimento e salta para dentro do carro do seu aconselhado. Uma vez dentro do carro, você pode conduzir a conversa.

Como seria uma situação assim? Considere alguns exemplos:

  • “Uau, Maria! Isso parece realmente difícil (ou triste). Deixe-me ver se realmente entendi o que você está dizendo.”
  • “Sim, Maria. Acho que entendi. Mas deixe-me ter certeza. O que ouvi você dizendo foi…”
  • “Uhum, isso faz sentido, Maria. Mas deixe-me fazer uma pergunta a você (ou fazer uma observação).”

Com certeza a necessidade de paciência e domínio próprio são evidentes, assim como a necessidade de fazer declarações e perguntas que reflitam sabedoria bíblica.

Se necessário, interrompa—educadamente!

Se a técnica acima não funcionar, em algum momento você terá que interromper a pessoa. Obviamente, você deve ser educado. Mas você também precisa ser direto. Você está fazendo isso para o bem do seu aconselhado, porque você o ama. Você não quer que eles olhem para trás, no dia seguinte, arrependidos e imaginando porque falaram tanto, e porque você não deu a eles nenhuma esperança e nenhuma resposta.

O que você deve dizer? Considere esses exemplos:

  • “Maria, foi muito importante para mim escutá-la e entender os detalhes do que você tem enfrentado. Mas eu gostaria de saber se você deseja ouvir o que eu penso sobre o que você está compartilhando.”
  • “Maria, você compartilhou muitas coisas comigo e isso é muito valioso. Mas eu gostaria muito de saber se eu realmente entendi o que você está dizendo e responder a você como seu amigo (pastor ou conselheiro).”
  • “Maria, para que eu possa ajudá-la melhor, eu preciso dar a você uma perspectiva cristocêntrica sobre o que você está compartilhando comigo hoje. Você se importaria se eu resumisse o que ouvi de você e compartilhasse algumas coisas que estou pensando?”

O que acontecerá quando você saltar para dentro do carro de seus amigos que falam muito e der a eles esperança e conselhos centrados em Cristo? Você descobrirá que essas pessoas que falam demais irão, gradualmente, dar a você mais oportunidades para diálogos frutíferos.

E isso é cem vezes melhor do que cair no sono no setor central da pista de corrida.

[Este post, de autoria de Robert Jones, foi originalmente publicado no blog da Biblical Counseling Coalition. Traduzido por Gustavo Santos e republicado mediante autorização.]

Escrito por Lucas Sabatier

Lucas Sabatier serve como pastor auxiliar na Comunidade Evangélica de Maringá, Paraná. É advogado, formado em Direito pela PUC de São Paulo, e mestre em divindade pelo Faith Bible Seminary (Lafayette–IN, EUA). É também conselheiro certificado pela ACBC (Association of Certified Biblical Counselors) e mestrando em teologia prática pelo Southern Baptist Theological Seminary (Louisville–KY). É casado com a Isabella e pai da Ana Luisa.

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