Meditando na Duradoura e Sábia Palavra de Deus

Uma apresentação recente sobre avivamento me levou a pensar mais profundamente sobre o espaço da memorização e meditação das Escrituras no processo de aconselhamento bíblico. O professor John Woodbridge, Professor e Pesquisador de História da Igreja no Trinity Evangelical Divinity School, falou sobre aspectos comuns que constituíram avivamentos. Ele é coautor do livro “A God-Sized Vision: Revival Stories That Stretch and Stir” (Uma Visão do Tamanho de Deus: Histórias de Avivamento que Incomodam e Desafiam). Um aspecto frequentemente encontrado dentre pessoas experimentando reavivamento é “uma vida diária saturada pelas Escrituras”, o que inclui “memorização e meditação das Escrituras”. Uma vez que esse tem sido um aspecto comum importante dos reavivamentos, o Professor Woodbridge se interessou especialmente em saber se alguma das igrejas representadas em sua audiência tinham programas de memorização e meditação das Escrituras. Eu pude afirmar que nossa igreja tinha, uma vez que essa prática é parte essencial do nosso ministério de aconselhamento bíblico. Ele e outros gostaram do comentário.

Martinho Lutero seria um conselheiro bíblico

Uma prática padrão do movimento de aconselhamento bíblico é o pedido que os aconselhados memorizem as Escrituras. O movimento está em boa companhia, uma vez que Martinho Lutero acreditava que a pessoa descrita no Salmo 1, que medita constantemente nas Escrituras, é uma pessoa verdadeiramente feliz. Embora a felicidade como o mundo usa o termo não ser o objetivo do aconselhamento, a felicidade que Lutero estava apontando é um resultado desejado do aconselhamento bíblico. Assim como Martinho Lutero, todos queremos que a pessoa que temos cuidando tenha uma vida caracterizada por essa descrição – “tudo quanto ele faz será bem-sucedido” (v. 3). Esse salmo, que introduz e resume todos os 150 salmos, coloca como pré-requisito para esse tipo de vida que agrada ao Senhor o fato de que “o seu prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite” (v. 2). Todos nós desejamos que nossos aconselhados sejam “como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha” (v. 3). Como destacou Martinho Lutero, isso produzirá uma alegria piedosa na vida de nossos aconselhados.

Pensando nas práticas do nosso aconselhamento

Essas lindas promessas do Salmo 1 me obrigaram a pensar mais honestamente sobre memorização e meditação no meu aconselhamento. Sim, eu sempre atribuo memorização e meditação das Escrituras a meus aconselhados como parte de seus projetos de crescimento para serem trabalhados até nosso próximo encontro. Sim, na próxima sessão, costumo pedir-lhes para recitar o verso em que eles estão trabalhando. Mas às vezes eu peço que eles recitem o verso rapidamente para que não percamos tempo. Infelizmente, isso envia a mensagem aos aconselhados de que a memorização das Escrituras não é tão importante quanto outros aspectos do processo de aconselhamento bíblico. Na verdade, a mensagem que o aconselhados precisa receber é que a memorização e meditação das Escrituras é um dos componentes mais importantes do processo. O desejo do meu coração é que, durante o processo de aconselhamento, o aconselhado estabeleça o hábito da memorização e da meditação das Escrituras, para que ele a fazer isso muito depois de ter esquecido meu nome.

No que diz respeito à meditação, infelizmente, raramente pergunto ao aconselhado sobre a sua meditação na Escritura. Durante cada sessão, ao analisar as tarefas atribuídas para crescimento, eu deveria perguntar o que o Espírito vem lhe mostrando na Palavra de Deus na medida que continuou a meditar no verso desde o nosso último encontro. Uma outra questão apropriada seria: “Como seus pensamentos e comportamentos mudaram recentemente com base em sua meditação na palavra de Deus?”

Diferenças entre nossas práticas de aconselhamento confessadas e praticadas

No que diz respeito à memorização e meditação das Escrituras, percebi que o meu aconselhamento confessado não corresponde ao meu aconselhamento praticado. Conforme confessado, acredito plenamente no Salmo 1 para mim e para o meu aconselhamento. Mas, como praticado, não tenho treinado adequadamente o meu aconselhado a encontrar “o seu deleite na lei do Senhor”, ajudando-o a meditar “na sua lei … dia e noite” (Salmo 1.2). Não acho que, como conselheiro bíblico, estou sozinho nessa deficiência. Aqui estão algumas mudanças que devemos considerar para fortalecer nosso aconselhamento na área da memorização e da meditação das Escrituras:Ensinar o Salmo 1 aos nossos aconselhados como uma passagem de esperança para eles.

  • Ensinar nossos aconselhados a memorizar as Escrituras.
  • Durante cada sessão de aconselhamento, pedir que o aconselhado recite a passagem atribuída recentemente e outra passagem previamente atribuída.
  • Ensinar nossos aconselhados a meditar nas Escrituras.
  • Perguntar aos nossos aconselhados como sua vida mudou à medida que meditaram em uma certa passagem.

Se desejamos profundamente que nossos aconselhados sejam “prósperos” espiritualmente, “como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha” (Salmo 1.3), devemos fazer tudo o que pudermos, com a ajuda do Espírito, para encorajá-los a memorizar a Escritura e a meditar nela. Este “esconder” a Palavra duradoura e sábia de Deus no coração do aconselhado irá ajudá-lo a “guardar puro o seu caminho” (Salmo 119.9, 11). Este não é um dos resultados mais importantes desejados do nosso aconselhamento?

[Este post, de autoria de Ken Long, foi originalmente publicado no blog da Biblical Counseling Coalition. Traduzido por Lucas Sabatier e republicado mediante autorização.]

Escrito por Lucas Sabatier

Lucas Sabatier é conselheiro certificado pela ACBC (Association of Certified Biblical Counselors) e mestrando em teologia prática pelo Southern Baptist Theological Seminary (Louisville–KY). É também advogado, formado em Direito pela PUC de São Paulo, e mestre em divindade pelo Faith Bible Seminary (Lafayette–IN, EUA). É casado com a Isabella, e pai da Ana Luisa e da Sophie.

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