Meus 5 objetivos para a primeira sessão de aconselhamento

O aconselhamento bíblico efetivo começa com uma primeira sessão de sucesso; e uma primeira sessão bem-sucedida exige metas claras. O que devemos buscar na nossa primeira sessão de aconselhamento? Deixe-me sugerir cinco objetivos. Embora os nossos métodos e técnicas variem, os seguintes cinco objetivos — acolhimento, conhecimento, esperança, plano e comprometimento — parecem algo sábio a ser buscado.

Objetivo #1: Acolher calorosamente meu aconselhado

Eu quero que ele (ou ela) saiba desde o início que eu me preocupo com ele, e quero que ele experimente esse cuidado durante toda a sessão. Isso significa dar-lhe as boas-vindas em palavras e ações. Isso começa com a forma como eu saúdo a pessoa: um aperto de mão firme, contato com os olhos, boas maneiras, mostrando sua cadeira, etc.

O evangelho, claro, é o que me guia. Como alguém que foi aceito por Jesus, quero estender a essa pessoa a mesma graça (Romanos 15.7). As primeiras impressões são importantes. Na sessão, eu quero exibir as graças relacionais encontradas em passagens como 1 Coríntios 13.4–7; Gálatas 5.22–23; e Colossenses 3.12–15. Oferecer uma atmosfera acolhedora aumenta a probabilidade de o Espírito trabalhar e através do nosso relacionamento no aconselhamento.

Objetivo #2: Conhecer meu aconselhado

Quero compreender não apenas o(s) problema(s) apresentados, mas também a história de sua vida e sua relação com o Senhor. Embora eu não possa conhecê-lo completamente na primeira sessão, quero ganhar informações suficientes sobre ele para poder dar-lhe a direção inicial apropriada.

Procuro fazê-lo ouvindo-o ativa e atenciosamente, inclinando meu corpo e meus ouvidos para frente, prestando atenção em cada palavra. Eu escuto com carinho e compaixão (como o nosso Senhor Jesus em Mateus 9.36), reconhecendo que o meu aconselhado enfrenta um problema difícil e quer minha ajuda.

Juntamente com o ouvir piedoso, busco fazer perguntas sábias e abertas (quem? o que? onde? quando? por que? como?), dando-lhe o máximo de oportunidades para compartilhar informações importantes. Sei também que não basta apenas compreendê-lo; preciso transmitir isso a ele e confirmar que o entendo, a fim de que ele se sinta compreendido por mim. Quero que meu aconselhado saia da sessão acreditando que ele foi bem ouvido por seu novo conselheiro.

Objetivo #3: Oferecer ao meu aconselhado esperança centrada em Cristo

A maioria das pessoas que buscam aconselhamento não tem esperança. O seu esforço próprio e as tentativas anteriores de aconselhamento falharam. Em vez disso, eu quero que meu aconselhado abrace confiantemente a Jesus Cristo, e acredite que Jesus pode ajudá-lo através de sua Palavra, seu Espírito e sua igreja (o que inclui a mim).

Dou esperança ao dar-lhe as Escrituras. Em geral, na primeira sessão, eu ainda não sei quais verdades bíblicas, gerais e específicas, a pessoa precisa. Mas isso não significa que não posso trazer-lhe algo da Palavra de Deus, que destaca em termos gerais as promessas divinas de amor, sabedoria e poder para ajudá-lo. Passagens como Mateus 11.28, João 1.14, 1 Coríntios 10.13, 2 Pedro 1.3, Hebreus 4.16, e vários salmos podem poderosamente injetar uma valiosa esperança inicial.

Também busco dar esperança garantindo o meu compromisso de ajudá-lo a entender e aplicar a Palavra de Deus e a caminhar com ele através de todo o processo de aconselhamento. Ele não está sozinho. Além disso, asseguro-lhe a minha própria esperança no desejo do Senhor de ajudá-lo. Embora possa ser que ele tenha pouca esperança, em Cristo tenho mais esperança do que suficiente para nós dois!

Objetivo #4: Propor um plano de aconselhamento para o meu aconselhado

Quero que meu aconselhado tenha certeza de que eu tenho um plano e que posso sabiamente levá-lo a sair de sua confusão presente para uma perspectiva centrada em Cristo.

Perto do final da primeira sessão, com base no que conheci sobre a pessoa e seu problema, gosto discutir alguns rumos que podemos tomar. Eu faço isso com a contribuição do aconselhado, até para ver quanto ele está disposto a se comprometer para trabalharmos juntos. Em alguns casos, existem vários problemas diferentes e muitos rumos possíveis para o aconselhamento. Eu costumo flexibilizar e ceder a suas preferências, pois sei que todos os caminhos propostos conduzem ao coração e a Jesus, nosso Salvador.

O meu plano é inicial e provisório, sujeito a (e aceitado sugestões de) melhorias para um ajuste fino, à medida que as sessões se desenvolvem. O plano inclui tarefas para crescimento a serem feitas entre as sessões. Irei designar, enviar ou recomendar recursos úteis, eletrônicos ou impressos. Se o tempo permitir, já começo a focar nos problemas e a plantar algumas sementes bíblicas em preparação para a segunda sessão.

Objetivo #5: Incentivar o meu aconselhado a comprometer-se com o aconselhamento

Quero convidar a pessoa a comprometer-se com o processo do aconselhamento — cumprindo as tarefas para crescimento e se encontrando comigo regularmente. Claro, eu já estou comprometido em aconselhá-lo — não começo um caso que não acredito que eu possa ir até o fim. Eu dou a opção de agendarmos nossa próxima sessão naquele mesmo momento, ou deixo meu aconselhado livre para me responder depois. De qualquer forma, eu o encorajo a fazer uso de quaisquer recursos que eu tenha recomendado e a completar qualquer tarefa de casa que eu tenha atribuído. Então eu oro por ele e encerro a primeira sessão.

Questão para reflexão

 Repetidamente, quando cumpro esses meus cinco objetivos — acolhimento, conhecimento, esperança, plano e comprometimento — na primeira sessão, o aconselhamento começa com uma base sólida. Em sua experiência como conselheiro (ou aconselhado), quais destes cinco objetivos é o mais importante para uma sessão inicial bem-sucedida?

[Este post, de autoria de Robert Jones,* foi originalmente publicado no blog da Biblical Counseling Coalition. Traduzido por Lucas Sabatier e republicado mediante autorização.]

*Robert D. Jones (D. Theol., D.Min.) serve como professor associado de Aconselhamento Bíblico no Seminário Teológico Batista do Sul dos Estados Unidos (Southern Baptist Theological Seminary). É membro do conselho da Biblical Counseling Coalition e fellow da Associação de Conselheiros Bíblicos Certificados (ACBC). É autor de mais de vinte livros, livretos, capítulos e artigos sobre aconselhamento bíblico e pastoral. Ele e sua esposa, Lauren, são casados há trinta e quatro anos e moram em Louisville, KY.

Escrito por Lucas Sabatier

Lucas Sabatier é conselheiro certificado pela ACBC e doutorando (Ph.D.) em aconselhamento bíblico no Southern Baptist Theological Seminary (Louisville–KY). Obteve seu M.Div. no Faith Bible Seminary (Lafayette–IN, EUA) e Th.M. no Southern Baptist Theological Seminary. É também advogado formado na PUC–SP. Lucas é casado com a Isabella desde 2011 e é pai da Ana Luisa e da Sophie.

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Este artigo tem 1 comentário

  1. Fabio Responder

    Parabéns pela abordagem. São pontos claros e oferecem um norte para quem está iniciando na tarefa do aconselhamento, ou, mesmo os conselheiros experientes podem rever sua abordagem inicial.

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