O que Dizer Sobre a Masturbação?

Quando pensamos em uma visão bíblica sobre masturbação, precisamos antes saber que não há nenhum verso na Bíblia que diga que a masturbação é um pecado. Entretanto, há diversos princípios bíblicos que podem nos guiar para construir uma visão bíblica sobre masturbação.

O sexo e a nossa sexualidade não foram criados por Deus primariamente para nosso próprio prazer.

Deus criou o sexo e a sexualidade como um presente maravilhoso que deve ser dado ao nosso parceiro; esse presente nos une de uma forma especial e íntima. É algo que Deus planejou para experimentarmos no relacionamento com outro ser humano. Quando usamos de forma individual, deturpamos algo maravilhoso e começamos a correr alguns perigos.

Em 1 Coríntios 7.3–4, Paulo diz: “O marido conceda à esposa o que lhe é devido, e também, semelhantemente, a esposa, ao seu marido. A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim o marido; e também, semelhantemente, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim a mulher.” Nossos corpos e nossa sexualidade não são nossos e nem para a satisfação dos nossos próprios prazeres. Logo, para as pessoas casadas, a masturbação priva seu cônjuge de algo que ele deveria receber de você.

De forma parecida, Provérbios 5.18–20 nos diz: “Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade… Saciem-te os seus seios em todo o tempo; e embriaga-te sempre com as suas carícias…” Masturbação leva a pessoa casada a procurar satisfação em outra pessoa que não seja seu cônjuge… e muitas vezes pode levar suas afeições embora de forma a deixá-lo cativo a algo ou alguém que não seja seu cônjuge.

Masturbação se enquadra no pecado de egoísmo.

Somos propensos ao egoísmo por natureza, e a masturbação parece alimentar esse fogo. Ela também tende a nos isolar. Nos retiramos e focamos em nós mesmos. “O que seria bom para mim? O que realmente me excita?” Todos esses pensamentos geram atitudes contrárias ao amor bíblico. O amor bíblico envolve o suprimento das necessidades do próximo sem esperar nada em troca. Amor é dar e não receber.

A atividade do autoerotismo é, por natureza, uma atividade em que recebemos ao invés de darmos. Começamos a pensar que não precisamos de um relacionamento humano nessa área. No entanto, esse presente foi destinado a ser a “cola” que nos uniria a alguém e não a nós mesmos. Masturbação corre na direção oposta ao que Deus planejou e alimenta um isolamento egoísta. Lemos em 1 Coríntios 13.5: “O amor não procura os seus interesses.” Masturbação procura os seus próprios interesses. Romanos 15.2–3 diz, “Portanto, cada um de nós agrade ao próximo [seu cônjuge é o seu próximo mais próximo] no que é bom para edificação. Porque também Cristo não se agradou a si mesmo”.

Filipenses 2.3–4 deixa isso claro. “Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo. Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros”.

Masturbação pode ser usada como uma fuga ou um refúgio no lugar de Deus.

Qualquer uma das coisas boas que Deus nos deu (comida, bebida, sexo, trabalho) pode se tornar pecaminosa se for usada como lugar de refúgio ao invés de nos conduzir a Deus. Masturbação é usada dessa forma, especialmente com pessoas jovens. É rápido, fácil e dá satisfação instantânea. Isto, em si mesmo, mostra alguns sinais de perigo. Hábitos podem estar se formando para que eles busquem a masturbação quando as coisas não acontecem como eles querem ou quando eles se sentem entediados e tristes, e querem gratificação imediata.

Salmo 73.25–26 diz: “Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra. Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre”. Salmo 16.11 nos ensina, “Na Tua presença há plenitude de alegria”. E o Salmo 91.2 mostra, “Diz ao SENHOR: Meu refúgio e meu baluarte, Deus meu, em quem confio”. Masturbação pode tornar-se, facilmente e insidiosamente, um substituto para o relacionamento com Deus e com os outros.

Masturbação vai contra o domínio próprio que somos chamados a desenvolver como cristãos.

Lutar nessa área é uma oportunidade excelente de confiar em Deus e pedir sua graça, ao invés de satisfazer os desejos da carne. Eu sei que é difícil. Pode até continuar sendo uma luta para a pessoa casada. Com toda a honestidade, algumas vezes você não quer o aborrecimento de ter que planejar algo ou de ter que fazer algo para a outra pessoa, mas quer simplesmente um alívio rápido. Se você permite que a masturbação seja uma prática regular, começará a achar as relações com seu cônjuge menos satisfatórias e mais frustrantes.

Há muito nas Escrituras para mostrar nossa necessidade de domínio próprio. Considere: Provérbios 25.28; 1 Tessalonicenses 4.3–6; e 2 Timóteo 1.7.

Masturbação alimenta uma chama que nunca se satisfaz.

Se você abre a porta e permite que qualquer coisa reine nessa área, então você precisará de cada vez mais para ter o mesmo prazer que tinha antes. Você sentirá necessidade de buscar outras coisas (pornografia, fantasias) para satisfazer o mesmo nível de prazer. Ao invés de satisfazê-lo, irá deixá-lo com mais sede e com um sentimento de vazio.

Jeremias 2.13 diz, “Porque dois males cometeu o meu povo: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas”. Masturbação é uma cisterna rota, que não retêm as águas. Para permanecer satisfeito, é necessário cada vez mais, e depois de um tempo, coisas novas. Você acaba em um estado de agitação perpétua, com pouquíssima satisfação.

Masturbação traz culpa e distração que dificulta o seu caminhar com Deus.

Pedro ensina: “Amados, exorto-vos, como peregrinos e forasteiros que sois, a vos absterdes das paixões carnais, que fazem guerra contra a alma” (1 Pedro 2.11). Muitas vezes, quando a área da lascívia é alimentada e agitada, ela luta contra a área espiritual. Nos sentimos sujos e não conseguimos nos aproximar de Deus.

Romanos 13.14 explica, “Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências.” A masturbação nos faz gastar uma quantidade enorme de tempo pensando nela… nos levando a ela… o que faremos da próxima vez, etc.

Conclusão

Baseado em princípios das Escrituras sobre amor bíblico e domínio próprio, bem assim no fundamento do projeto de Deus para o prazer sexual ser compartilhado entre marido e mulher, parece prudente resistir pessoalmente à tentação da masturbação; e parece importante que ensinemos nossos filhos sobre os perigos de ceder a essa tentação.

[Este post, de autoria de Brad Bigney, foi originalmente publicado no blog da Biblical Counseling Coalition. Traduzido por Gustavo Santos e republicado mediante autorização.]

Escrito por Gustavo Santos

Gustavo Santos é engenheiro, e mestrando em Divindade pelo Faith Bible Seminary (Lafayette, IN, EUA). Atualmente, serve como estagiário na Igreja Batista Maranata em São José dos Campos – SP.

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