Respondendo ao Abuso Emocional no Casamento

Eu vi casamentos que refletem Cristo e a Igreja: maridos liderando amorosamente seus lares e esposas submetendo-se amorosamente aos seus maridos. Como é bom (e esperançoso) ver exemplos reais, especialmente quando tantos casamentos têm sido atacados pela pornografia, homossexualidade e adultério. Também vi casamentos quebrados e relacionamentos emocionalmente abusivos que me ensinaram muito sobre a fé.

As mulheres que conheci acreditavam que deveriam se submeter aos seus maridos e elas tentaram. Em algum momento, entretanto, elas começaram a mudar negativamente sem que percebessem. Elas se isolaram. Elas começaram a se questionar. Eles começaram a criar desculpas para os pecados dos seus maridos.

O que fazer quando o seu marido abusa emocionalmente de você? Alguns dirão que você deve continuar se submetendo a liderança dele, orar por ele, e confiar em Deus. Seria aceitável procurar ajuda e até se divorciar, se necessário? Quando eu penso sobre casamento, “proteção” é um dos conceitos que vem a minha mente. Talvez seja por isso que o abuso emocional, ou qualquer outro tipo de abuso dentro do casamento, me entristece de uma forma diferente.

Meu desejo é que Deus use esse texto para encorajar aquelas que estão fracas, desafiar aquelas que não tem confiado em Deus ou que não buscaram conselhos, e prover alguma ajuda para aqueles que não sabem como podem ajudar mulheres que sofrem com relacionamentos emocionalmente abusivos. Eu também conheci maridos que foram emocionalmente abusados por suas esposas e, por isso, eu não acredito que somente as mulheres sofram desse abuso.

A Bíblia não usa o rótulo “abuso emocional”, mas ela certamente o proíbe. Primeiro, não devemos maltratar pessoas que foram criadas a imagem de Deus (Tiago 3.9). Segundo, abuso emocional viola os dois grandes mandamentos: amar a Deus e amar o próximo (Mateus 22.35–40). Terceiro, abuso emocional viola o plano de Deus para o casamento, onde maridos devem liderar amorosamente e esposas devem se submeter amorosamente (Efésios 5.21–33). Quarto, viola os princípios de vida cristã pois viola o mandamento de negar a si mesmo (Marcos 8.34) e de falar palavras que ministrem graça (Efésios 4.29). Quinto, é uma demonstração de orgulho e falta de temor a Deus que leva a destruição (Provérbios 16:18). Um marido que comete abuso emocional se engana por achar que ele é o rei que merece glória, honra e louvor. Sexto, abuso emocional é uma forma de traição a Deus e a pessoas, pois é uma tentativa de ser igual a Deus e de enganar ao próximo.

A natureza do abuso emocional

Um termo comum encontrado nas definições de abuso emocional é controle. O abuso emocional acontece quando pessoas tentam te controlar por meio de palavras ou ações. Eles podem não te machucar fisicamente, mas eles sabem como te deixar com medo através da intimidação e da manipulação. Se as emoções são produzidas por nossas avaliações e percepções,[1] então o abuso emocional envolve prejudicar a forma como você vê a si mesmo e aos outros. Com o tempo, você começa a se enxergar de forma negativa. Você pode questionar a si mesmo, culpar a si mesmo, ou não enxergar a severidade da situação. Você se torna uma pessoa fraca, tentando agradar as exigências não razoáveis do seu marido, embora ele raramente esteja satisfeito.

Abuso emocional é mais traiçoeiro do que o abuso físico. As mulheres que conheci suportaram o abuso emocional por anos e ninguém sabia do que estava acontecendo. Elas mesmas não sabiam o que estava acontecendo até finalmente conversar com alguém. (Com certeza o mesmo pode acontecer com o abuso físico.) Abuso emocional é inaceitável e pecaminoso. Mata a pessoa de forma lenta. Também não é o mesmo que discussões ocasionais no casamento; ele acontece com frequência.

Temas comuns no abuso emocional

Ira. A ira emocionalmente abusiva é pecado (Colossenses 3.8). Nesse caso, a ira revela um desejo por controle. Por exemplo, o marido manda mensagens ou faz ligações durante o dia para sua esposa e fica irado se ela demora a respondê-lo. Ou ele fica irado porque ela discorda dele.

Manipulação/hipocrisia. Este pecado se revela de formas diferentes:

  1. O marido é uma pessoa diferente quando está perto de algum líder da igreja ou de outras pessoas. Ele sabe como culpar a sua esposa.
  2. O marido começa a chorar durante a sessão de aconselhamento e convence o pastor ou os amigos. Então, tudo o que a esposa compartilhou no passado perde o seu valor. Afinal de contas, ele chorou. A esposa irá confiar ainda menos nas pessoas.
  3. O marido se encontra com outras famílias e amigos para trazê-los para o seu lado.

Medo/ameaças. Em alguns casos, isso envolve finanças ou a custódia dos filhos se o casal está no processo de divórcio.

Transferência de culpa/negação. “Se você fizesse o que eu te disse, eu não teria ficado bravo.” “Quando eu disse isso a você?”

Isolamento. A esposa gasta menos tempo com a família e com os amigos porque seu marido não quer vê-los ou outra discussão acontecerá.

Minimizar o problema. O marido diz que a esposa está exagerando. Algumas vezes, a esposa minimiza o problema. Outro caso é quando a pessoa que está tentando ajudar é enganada ou não sabe como ajudar. “Todo casamento tem problemas.” “Tanto o marido quanto a esposa tem problemas.”

Sogros. O “deixar e se unir” [n.t., conforme Genesis 2:24) nunca aconteceu de fato no casamento. Os sogros são os líderes no casamento, não o marido. Os sogros acreditam que seu filho é perfeito ou veem as falhas do filho mas colocam a culpa na esposa.

O que fazer pela esposa

Não é incomum que o abuso emocional leve ao abuso físico, então procure aconselhamento o quanto antes. Podemos pensar que abuso emocional não acontece em casamentos cristãos. Eu já vi casos onde o marido era um líder na igreja.

Não mantenha o assunto privado. Você pensa que seu cônjuge irá mudar ou que ele não irá ficar bravo novamente se você for obediente. Tome cuidado com esse tipo de pensamento. De certa forma, ele é enganoso pois a faz pensar que você está no controle da situação.

Encontre alguém que irá acreditar em você. Algumas vezes, os líderes da igreja são enganados ou não querem se envolver em grandes problemas. Não desista até encontrar uma pessoa piedosa que você sabe que pode ajudá-la.

Submissão bíblica. Isto não é obediência a todo custo. Sim, esposas são chamadas a submeter-se aos seus maridos, mas elas não devem se submeter ao pecado ou a um tratamento pecaminoso.

Oração. Ore pelo arrependimento do cônjuge. Se ele não for salvo, ore pela salvação dele. Ore para que Deus proteja seu coração de qualquer rancor ou raiva.

Confie em Deus. É muito doloroso quando a família e os amigos não acreditam em você ou abandonam você. Mas Deus sabe a verdade. Você pode descansar no cuidado dele, sabendo que a vingança pertence a ele.

Lembre-se do caráter de Deus. Ele é fiel. Ele sabe de todas as coisas. Ele nunca irá abandonar você.

Se alguém compartilhar com você qualquer caso de abuso, saiba que muita coragem e confiança estão envolvidas. Seja cuidadoso para não destruir isso! Muito provavelmente, a pessoa está vulnerável e temerosa. Como eu costumo dizer as pessoas, boas intenções não são suficientes. Já vi amigos se envolverem, se encontrarem com o marido e saírem ainda mais confusos.

Esteja atento quanto a fofoca e murmuração. Seja sábio para determinar o quanto a pessoa deve compartilhar com você. No final das contas, nosso esforço para ministrar não deve apenas ser uma sessão de desabafo, mas uma sessão de retorno a perspectiva de Deus, que dê esperança e honre a Deus.

Certa vez uma mulher me disse: “Se Deus permitiu que essa dor aconteça para que meu marido conheça a ele, então terá valido a pena”. Ela também reconheceu que Deus usou essa provação para levá-la para mais perto dele. Naquele momento, aquela pessoa que não havia completado a faculdade me ensinou sobre fé de uma forma que eu nunca havia aprendido em nenhum livro ou aula. É fácil se submeter a um líder amoroso dentro de casa. Mas se submeter a um marido que constantemente a questiona, a diminui, e mente para você é uma demonstração poderosa de fé em Deus.

[1] Brian Borgman, Feelings and Faith (Wheaton, IL: Crossway Books, 2009), 26.

[Este post, de autoria de Lilly Park, foi originalmente publicado no blog da Biblical Counseling Coalition. Traduzido por Gustavo Santos e republicado mediante autorização.]

Escrito por Gustavo Santos

Gustavo Santos é engenheiro, e mestrando em Divindade pelo Faith Bible Seminary (Lafayette, IN, EUA). Atualmente, serve como estagiário na Igreja Batista Maranata em São José dos Campos – SP.

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