Vergonha

“Você foi um erro.” “Você não serve para nada.” “Você é um grande desapontamento.” Esses comentários indecentes e dolorosos são ditos para que a pessoa que os recebe sinta vergonha. A experiência da vergonha é resultado de pensar de si como um fracasso. Em outras palavras, a mensagem é transmitida como se houvesse algo intrinsecamente errado com a pessoa e que ele ou ela nunca serão capazes de atingir os padrões esperados pelos outros. Isto significa que, por natureza, a pessoa é inadequada.

A vergonha também pode acontecer devido ao comportamento da própria pessoa, ao que foi feito a ela por outras pessoas, ou a algo relacionado a pessoa que seja visto pelos outros como inferior. Algumas pessoas, como as abusivas, usam a vergonha para controlar suas vítimas. No processo, eles são capazes de transferir sua própria culpa para a vítima, culpando-a pelo seu comportamento.

Vergonha na Bíblia

Na Bíblia, vemos vergonha pela primeira vez em Gênesis 3.7, quando Adão e Eva cobriram-se porque estavam nus. Isso contrasta com Gênesis 2.25, quando Adão e Eva não experimentavam nenhuma vergonha quando estavam nus durante o período de inocência antes da queda. A experiência da vergonha está conectada à culpa de pecar contra Deus. A vergonha de estar nu é vista novamente em 2Samuel 10.4, quando Hanum envergonhou os homens de Davi ao cortar metade das suas vestes até as nádegas. Neste caso, a vergonha experimentada foi resultado de uma tentativa intencional dos homens de Hanum de humilhar os homens de Davi.

Cristo remove a vergonha

Cristo é a resposta para a pessoa que experimenta vergonha. Nos evangelhos, vemos que Cristo se associou com aqueles que eram envergonhados pelos outros por serem vistos como inferiores. Exemplos disso são a mulher no poço (João 4.1–45) e os coletores de impostos (Mateus 9.9–13).

Ao morrer na cruz, Jesus morreu de uma forma vergonhosa, estando nu e exposto a todos que olhassem para ele. Ele cumpriu Isaías 53.3–5, conhecendo a vergonha de ser “como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso.” Mesmo sendo inocente, ele sofreu a vergonha para que outros fossem feitos justos. Através da sua morte na cruz e ressurreição, Jesus cancelou o escrito de dívida que era contra nós (Colossenses 2.14).

Como resultado da morte de Jesus na cruz, quando ele se tornou pecado, os que creram se tornaram justiça de Deus (2 Coríntios 5.21). Somos justificados pela fé em Cristo (Romanos 5.1). Já não há nenhuma condenação (Romanos 8.1), e devemos viver de acordo com o plano de Deus para nós, sendo santos e irrepreensíveis perante ele (Efésios 1.4).

Ajudando a pessoa envergonhada

Cristãos que experimentam vergonha devem ser ajudados a enxergar que eles são justos em Cristo por causa de sua obra na cruz. Ele carregou sua vergonha para que eles vivessem uma vida piedosa. Eles devem viver a realidade de que sua alienação de Deus foi removida por Cristo para que eles pudessem ser santos e inculpáveis perante ele (Colossenses 1.21–22).

Ao invés de aceitarmos o julgamento dos outros sobre nós, devemos nos enxergar como Cristo nos enxerga. Pertencemos a ele, mesmo que outros nos rejeitem e excluam. Podemos saber que Cristo removeu nossa vergonha de uma forma pessoal e íntima. Em Isaías 54.4–6, o Senhor conforta Israel ao dizer que ela deve esquecer sua vergonha, porque ele, seu Criador, é o seu marido. Isto é verdade sobre a igreja, a noiva de Cristo (Apocalipse 21.1–4). Somos parte da noiva de Cristo. Devemos viver a verdade de que, nele, somos santos e sem defeito (Efésios 5.27).

Ao olhar para Cristo na cruz, recebemos uma resposta chave para lidar com a vergonha. Em Hebreus 12.2, lemos o seguinte sobre o santo e perfeito Filho de Deus, “…o qual em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus”.

Cristo desprezou a vergonha da cruz porque ele sabia o que estava diante dele. Agora ele está assentado à destra de Deus. Quando outros tentam nos envergonhar, é importante que não somente recusemos o julgamento e a avaliação errada da outra pessoa, mas também que desprezemos a vergonha. Devemos desprezar o julgamento pecaminoso e focar nas coisas de Deus. Isto não significa que desprezamos o autor do julgamento. Desprezamos a mentira que ameaça nos distrair da realidade da obra da cruz em nossas vidas. Ao invés disso, nos reorientamos ao Senhor, naquilo que ele fez e tem feito, e ao que está diante de nós.

[Este post, de autoria de Anne Dryburgh, foi originalmente publicado no blog da Biblical Counseling Coalition. Traduzido por Gustavo Santos e republicado mediante autorização.]

Escrito por Gustavo Santos

Gustavo Santos é engenheiro, e mestrando em Divindade pelo Faith Bible Seminary (Lafayette, IN, EUA). Atualmente, serve como estagiário na Igreja Batista Maranata em São José dos Campos – SP.

Ver todos os posts do autor →

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *