95 Teses para um Comprometimento Autenticamente Cristão com o Aconselhamento

Após a Escuridão, a Luz: Cristãos e o Aconselhamento no século XXI

Em outubro de 1517, Martinho Lutero pregou suas noventa e cinco teses na porta da igreja do castelo em Wittenberg, na Alemanha. Ele estava preocupado com o fato de a prática católica romana de indulgências ter minado as Escrituras e seus ensinamentos sobre a graça e arrependimento genuíno. Seu ato daria início a uma Reforma que testemunhou a recuperação do evangelho de Jesus Cristo em todo o mundo.

No aniversário de 500 anos da Reforma Protestante, tenho uma preocupação semelhante com a recuperação do evangelho. Temo que depois de mais de um século de influência da terapia secular, o testemunho cristão da graça de Jesus Cristo tenha sido diluído no ministério essencial do aconselhamento. Lutero desejava que suas teses desencadeassem um debate que os fiéis precisavam ter sobre como as boas novas de Jesus Cristo se relacionavam com uma área crítica da prática da igreja. Minha intenção é semelhante ao oferecer essas 95 teses para um comprometimento autenticamente cristão com o aconselhamento. Acredito que a igreja hoje deve ter o mesmo tipo de debate sobre a graça, no que diz respeito ao aconselhamento, que Lutero, em seus dias, queria ter em relação às indulgências.

Então, ofereço essas teses para fins de debate. Mas elas também são oferecidas com uma oração. Minha oração é que ânimo dos Reformadores, de recuperar a ênfase na graça divina em seus dias, seja o compromisso que os cristãos de hoje tenham em relação ao aconselhamento.

 

95 Teses para um Comprometimento Autenticamente Cristão com o Aconselhamento

Questões introdutórias sobre aconselhamento e cultura contemporânea
  1. Os cristãos do século XXI vivem em um tempo em que a prática do aconselhamento de muitas igrejas evangélicas é marcada por caos e confusão quanto à natureza do aconselhamento.
  2. A terapia secular definiu a natureza e os termos do aconselhamento por mais de cem anos, e os cristãos que respondem à sua influência foram confundidos por ela — sem saber se deveriam consumir essa terapia secular de forma não diluída, combiná-la de alguma maneira com recursos da tradição cristã, ou rejeitá-la inteiramente a favor de uma abordagem que se baseia exclusivamente em recursos escriturários.
  3. A confusão que existe por parte dos cristãos tem sido uma fonte angustiante de conflito entre irmãos e irmãs em Cristo que debatem essas questões e tem causado sofrimento na vida de cristãos com problemas que buscam cuidado por meio do aconselhamento.
  4. Trata-se de uma questão de urgência, que cristãos se unam em torno de uma compreensão de aconselhamento autenticamente cristã (Colossenses 3.14).
  5. Um compromisso com o aconselhamento que é autenticamente cristão exige que os crentes em Cristo compreendam a natureza do aconselhamento, quais recursos devem ser usados ​​no aconselhamento, e que possuam habilidades cada vez maiores no cuidado de pessoas que precisam de aconselhamento.
A natureza do aconselhamento e o conteúdo das Escrituras
  1. Quando as pessoas passam por dificuldades vivendo em um mundo caído, elas precisam de sabedoria sobre a vida para ajudá-las a enfrentar esses problemas (Provérbios 19.20).
  2. A sabedoria para enfrentar as dificuldades da vida é mais frequentemente comunicada em conversas que a nossa cultura se refere como aconselhamento.
  3. As questões tratadas no aconselhamento dizem respeito aos problemas que as pessoas enfrentam quando relacionam as dificuldades em suas vidas com a fé e a prática descritas nas Escrituras.
  4. Como os problemas de aconselhamento dizem respeito às mesmas questões sobre as quais Deus escreveu em sua Palavra, é essencial ter uma conversa sobre o conteúdo da Bíblia para a solução dos problemas no aconselhamento.
  5. O assunto tratado nas conversas de aconselhamento é a sabedoria necessária para lidar com os problemas da vida e, portanto, o aconselhamento não é uma disciplina fundamentalmente informada pela ciência, mas pelo ensino encontrado na Palavra de Deus.
  6. Quando a Bíblia afirma abordar todas as questões relativas à vida e à piedade, ela se declara como recurso suficiente e autêntico para abordar tudo o que é essencial no aconselhamento (2 Pedro 1.3­–4).
  7. Cristãos não devem separar a autoridade das Escrituras para o aconselhamento da suficiência das Escrituras para o aconselhamento, pois, se as Escrituras são uma autoridade relevante, então deve ser suficiente para as lutas que as pessoas enfrentam enquanto vivem em um mundo caído (2 Pedro 1.3–21).
  8. A autoridade e a suficiência das Escrituras para o aconselhamento significam que os conselheiros devem aconselhar a partir da convicção de que o conteúdo teológico das Escrituras define e orienta o conteúdo conversacional do aconselhamento.
  9. A Bíblia ensina que a pessoa e a obra de Jesus Cristo oferecem o suficiente poder de Deus para resolver todos os problemas da humanidade e, portanto, de acordo com as Escrituras, ele é o assunto principal de cada aconselhamento (Colossenses 2.2–3).
  10. Conselheiros precisam de um padrão para saber quais mudanças devem ser buscadas nas vidas e problemas das pessoas que desejam ajudar e, uma vez que a Bíblia retrata Jesus Cristo como padrão perfeito para a vida humana, é impossível realizar um aconselhamento autenticamente cristão sem se remeter a ele (1 João 2.5–6).
  11. O fato de que a Bíblia descreve de forma autoritativa e suficiente quem é Jesus, o que ele fez e atualmente faz, e como sua obra se aplica aos nossos problemas, prova a autoridade e a suficiência das Escrituras como um recurso de aconselhamento.
  12. Uma vez que a Bíblia explica perfeitamente como Jesus fez provisão para que as pessoas vivessem todos os aspectos de suas vidas, qualquer afirmação que imponha limitações às Escrituras ao abordar os problemas de aconselhamento que os indivíduos enfrentam é um ataque implícito à pessoa e à obra de Jesus (Colossenses 3.16).
  13. Uma evidência da suficiência e autoridade das Escrituras para aconselhamento é que ela é um guia suficiente e autoritativo para a santificação, que é uma denominação teológica para a mudança pretendida no aconselhamento (Filipenses 2.12).
  14. A negação de que a Bíblia seja um guia suficiente e autoritativo para o aconselhamento é uma negação de que ela seja suficiente e tenha autoridade para o crescimento cristão.
  15. Afirmar que os recursos escriturários são insuficientes para aconselhar é impugnar o caráter de Deus, pois ele promete aos cristãos que seu poder é suficiente para a vida e piedade; que sua Palavra faz o homem de Deus competente para toda boa obra; e essa misericórdia e graça estão disponíveis no Cristo ressuscitado para todos os que se aproximam dele (2 Timóteo 3.16–17; 2 Pedro 1.3, Hebreus 4.16).
  16. Afirmar que os recursos bíblicos não são autoritativos e suficientes para os problemas de aconselhamento que as pessoas enfrentam é minar o ensinamento bíblico sobre a glória de Deus, pois os indivíduos com problemas precisam saber como glorificar a Deus em todas as áreas de suas vidas, a Bíblia ordena que toda a vida seja vivida para a glória de Deus, e a Bíblia demonstra como Deus pode ser glorificado em toda a vida (1 Coríntios 10.31).
  17. Afirmar a autoridade e a suficiência das Escrituras para o aconselhamento é afirmar o amor e a sabedoria de Deus ao dar ao seu povo o que eles precisam para os problemas da vida, visto que a maioria dos cristãos ao longo da história, e também hoje, na maioria dos lugares no mundo, não tem acesso à terapia secular, mas todos os cristãos tiveram e tem acesso à Palavra de Deus.
  18. O aconselhamento que não reconhece e depende do Espírito Santo nunca pode esperar sucesso, no seu sentido mais completo, pois a presença e o poder do Espírito são necessários para realizar o tipo de mudança que honra a Deus (João 16.7–13).
  19. Porque o Espírito Santo sempre opera através da Palavra que ele inspirou, o aconselhamento que deseja o tipo de mudança poderosa assegurada pelo Espírito será o aconselhamento que utiliza as Escrituras (Efésios 1.17–19).
  20. O aconselhamento que deseja o tipo de mudança poderosa assegurada pelo Espírito Santo deve ser um aconselhamento que constantemente aponta para Jesus Cristo, pois o ministério do Espírito é exaltar Cristo (João 16.14).
  21. A autoridade e a suficiência das Escrituras para o aconselhamento não significam que o aconselhamento que utiliza as Escrituras irá remover todas as dificuldades, pois vivemos em um mundo caído, e não é a intenção de Deus necessariamente resolver todos os problemas nesta vida (Apocalipse 21.1–4).
  22. A autoridade e a suficiência das Escrituras para o aconselhamento não significam que o aconselhamento que utiliza as Escrituras irá remover todas as dificuldades, pois as pessoas muitas vezes não conseguem ouvir os conselhos bíblicos e, por vezes, implementar cuidadosamente mudanças em suas vidas.
  23. A autoridade e a suficiência das Escrituras para o aconselhamento não significam que o aconselhamento que utiliza as Escrituras irá remover todas as dificuldades, pois mesmo os conselheiros que pretendem usar fielmente as Escrituras às vezes podem demonstrar incompetência.
  24. É crucial que os cristãos enfatizem a autoridade e a suficiência das Escrituras para o aconselhamento vez que tal ênfase inspira confiança, em pessoas quebrantadas, no fato de que Deus revelou como elas podem ter esperança em meio a qualquer dificuldade que enfrentarem (Salmos 119.105).
A terapia secular e a suficiência autoritativa das Escrituras
  1. A fidelidade de um sistema de aconselhamento deve ser julgada exclusivamente pelo texto das Escrituras.
  2. Porque a Bíblia é a autoridade para cada situação da vida, sempre que os terapeutas seculares escrevem, ensinam ou aconselham sobre questões de vida humana, abordam questões que Deus trata com autoridade em sua Palavra.
  3. A suficiência autoritativa das Escrituras para o aconselhamento significa que a Bíblia controla quais recursos podem e não podem ser usados ​​para a sabedoria e prática do aconselhamento.
  4. Não é necessário que a Bíblia aborde de forma abrangente questões biológicas e cuidados médicos para ser autoritativa e suficiente para o aconselhamento.
  5. Não é necessário que a Bíblia concorde com, ou mesmo aborde, as conclusões da psicologia moderna, para seja suficiente e autoritativa para o aconselhamento.
  6. Não é necessário que a Bíblia seja uma fonte exaustiva de informações para ser amplamente autoritativa e suficiente para o trabalho do aconselhamento.
  7. Uma evidência da autoridade e suficiência das Escrituras é que os cristãos que não têm ou tiveram acesso à terapia secular, em todo o mundo e ao longo da história, mesmo antes do advento da terapia secular, foram poderosamente ajudados e transformados sem acesso à terapia secular.
  8. Uma evidência da autoridade e suficiência das Escrituras é que os cristãos no ocidente moderno com acesso à terapia secular foram poderosamente ajudados e transformados pelos recursos bíblicos, muito mais do que por outros terapêuticos.
  9. Uma evidência da autoridade suficiente das Escrituras para abordar as lutas da vida apresentadas no aconselhamento é que, enquanto o pensamento secular perece, Deus pretende que sua Palavra permaneça para sempre (1 Pedro 1.23–25).
  10. Os conselheiros que desejam ter um impacto efetivo sobre as pessoas devem usar as Escrituras em seus aconselhamentos, pois Deus promete que sua Palavra nunca retornará vazia (Isaías 55.11).
  11. Nenhuma prova foi oferecida que as Escrituras do Antigo e do Novo Testamento sejam menos do que totalmente autoritativas e suficientes para questões de aconselhamento.
  12. Os cristãos devem ser gratos pela exibição da graça comum de Deus que leva muitos especialistas no campo da psicologia secular a conhecer muitas informações verdadeiras, das quais cristãos podem aprender muito.
  13. Os cristãos devem ser cautelosos diante do impacto do pecado em suas mentes, o que faz com que as pessoas suprimam a verdade sobre Deus, interpretem mal outros tipos de informação, e isso assegura que as intervenções da terapia secular serão prejudiciais à medida que tentam mediar os cuidados do aconselhamento de modo desprovido de Cristo (Efésios 4.17–19).
  14. As estratégias de aconselhamento em desacordo com as Escrituras devem ser rejeitadas e vistas prejudiciais para aqueles a quem se destinam ajudar.
  15. Embora a disciplina da psicologia possa gerar muita informação verdadeira, a terapia secular — à medida que oferece soluções de aconselhamento que diferem das Escrituras — compete com o ministério cristão no cuidado dos indivíduos e fere as pessoas ao apontá-las para soluções que não estão fundamentadas na Palavra de Deus ou centradas na graça de Jesus Cristo.
  16. A falta de rótulos técnicos e seculares relacionados aos problemas do aconselhamento na Bíblia, assim como os encontrados no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, não refutam a suficiência e a autoridade das Escrituras para o aconselhamento, vez que Deus usa sua própria linguagem superior para descrever os problemas das pessoas (Romanos 1.24–32).
  17. ​​A falta de linguagem bíblica no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais demonstra que o pensamento dos indivíduos seculares é insuficiente para compreender a verdadeira natureza das pessoas, os problemas que elas trazem para o aconselhamento e as soluções necessárias para produzir mudanças reais e duradouras.
  18. As estratégias mais eficazes da terapia secular repetem os princípios já contidos na Palavra de Deus.
  19. A terapia secular nunca apresentou qualquer exemplo de medida de intervenção no aconselhamento que seja essencial para o processo de mudança, e que já não esteja nas Escrituras.
  20. A informação que os psicólogos sabem, e que não está incluída nas Escrituras, não é necessária para um aconselhamento efetivo.
  21. As estratégias terapêuticas seculares que conduzem a resultados de aconselhamento desejáveis ​​não são evidências da superioridade desses recursos para com as Escrituras, vez que existem inúmeros caminhos de mudança que não agradam a Deus.
  22. As estratégias terapêuticas seculares são erradas, não apenas porque às vezes conduzem a maus resultados no aconselhamento, mas porque operam sem considerar a Palavra de Deus e o Filho de Deus.
  23. A terapia secular é uma fonte insuficiente de informação para o cuidado do aconselhamento, pois seus recursos são marcados por uma cegueira a respeito da natureza da humanidade, feita à imagem de Deus (Gênesis 1.26).
  24. A incapacidade da terapia secular de reconhecer que a humanidade é feita com uma alma imaterial paralisa sua capacidade de oferecer cuidados orientadores significativos (2 Coríntios 4. 16).
  25. Quanto mais pretende, um sistema de aconselhamento, implementar os recursos da terapia secular para entender os problemas das pessoas, menos provável será que esse sistema use as Escrituras no aconselhamento.
  26. Os cristãos interessados ​​no estudo da psicologia não devem degradar a autoridade e a suficiência das Escrituras para aconselhamento a fim de justificar seu estudo dessa disciplina.
  27. Os estudiosos cristãos que se colocaram contra a autoridade e a suficiência das Escrituras para o aconselhamento falharam em seu argumento ao declarar que as Escrituras são insuficientes para aconselhamento, sem citar provas para a sua declaração.
  28. Os estudiosos cristãos que defenderam a necessidade de recursos seculares em aconselhamento falharam neste argumento, apontando para informações científicas que podem ser verdadeiras, mas, no entanto, são desnecessárias para aconselhamento.
  29. Os estudiosos cristãos e profissionais que desejam se submeter à autoridade da Palavra de Deus em toda a vida devem usar as Escrituras como a fonte exclusiva de sabedoria e ajuda para o aconselhamento, até que possam provar que a Bíblia não é autoritativa e suficiente para tal trabalho.
  30. Cristãos que afirmam que a Bíblia não é uma autoridade suficiente para o aconselhamento também devem argumentar por mudanças na tarefa missionária, pois, se seu argumento é verdadeiro, eles devem se concentrar em levar as informações da terapia secular para as nações, além das Escrituras, visto que estão supostamente ausentes dentre os recursos necessários para o cuidado de pessoas com problemas.
  31. Cristãos que insistem em usar a terapia secular em seu aconselhamento minaram a autoridade e a suficiência da Palavra de Deus ao não permitir que a forma e o conteúdo das Escrituras ditem a forma e o conteúdo de seu aconselhamento.
  32. É um pecado grave para qualquer cristão evitar falar sobre Cristo e sua Palavra em uma conversa simplesmente porque essa conversa é rotulada como aconselhamento (1 Coríntios 2.1–2).
  33. Uma vez que o problema mais significativo que as pessoas têm é o desagrado de Deus em relação ao seu pecado, e, como é impossível agradar a Deus sem fé, conselheiros que não enfatizam a fé em Jesus são culpados da mais séria negligência de conduta (Hebreus 11.6).
  34. Os cristãos que insistem em empregar linguagem secular para descrever problemas de aconselhamento, ao invés de linguagem bíblica, não se submeteram à autoridade da Palavra de Deus ao descrever os problemas que as pessoas enfrentam.
  35. Irmãos e irmãs cristãos que minaram a autoridade e a suficiência das Escrituras para o aconselhamento criaram uma crise na igreja, distanciando os indivíduos cristãos dos recursos bíblicos que Deus sempre quis que seu povo usasse em meio a dor.
  36. Os estudiosos cristãos e profissionais que minam a autoridade e a suficiência das Escrituras para o aconselhamento são irmãos e irmãs em Cristo quando confiam somente em Jesus para a salvação, mas são, no entanto, culpados de grave erro.
  37. A intenção de Deus de resolver nossos problemas, por sua graça revelada nas Escrituras, significa que conselheiros que oferecem soluções sem graça estão em erro significativo, na medida que tentam curar superficialmente as feridas de pessoas com problemas.
  38. Como um ato de cuidado amoroso para com seus irmãos e irmãs rebeldes, os cristãos devem chamar ao arrependimento aqueles que afirmam seguir a Cristo, mas não utilizam suas conversas de aconselhamento para apontar para ele e sua Palavra.
  39. Quando cristãos minam a autoridade e a suficiência das Escrituras para o aconselhamento, eles devem se arrepender do sério pecado de calúnia contra Deus, que revela que sua Palavra é suficiente para todos os muitos e vários problemas que as pessoas enfrentam.
  40. Os cristãos que ensinaram publicamente que os recursos das Escrituras são limitados em relação ao aconselhamento devem se arrepender em público.
  41. Cristãos que aconselharam sem depender dos recursos das Escrituras devem se arrepender para com aqueles que tentaram ajudar.
  42. Igrejas, seminários e centros de treinamento cristãos, que consideram inaceitável empregar ministros que defendem a pregação a partir de recursos diferentes das Escrituras, também devem ter como inaceitável empregar ministros que defendem o aconselhamento a partir de recursos diferentes das Escrituras.
  43. O processo de se exigir uma licença aprovada pelo governo para aconselhar não é requerido pela Bíblia, é usado pelo estado para impor práticas de aconselhamento fundadas na terapia secular e é desnecessário para aqueles que desejam crescer na sabedoria de Deus para aconselhar.
  44. A única motivação autenticamente cristã para obter uma licença governamental para o aconselhamento é o desejo missionário de fazer com que Cristo seja conhecido por todas as pessoas, em todos os lugares, especialmente naqueles lugares onde a autoridade do estado permite que apenas indivíduos licenciados conversem com pessoas em dificuldade.
As Escrituras, o aconselhamento e o ministério cristão fiel
  1. Porque Jesus e seus apóstolos proclamaram a Palavra de Deus em contextos públicos e conversacionais, os ministros cristãos de hoje devem estar empenhados em anunciar a Palavra de Deus na pregação e no aconselhamento (Atos 20.20).
  2. Antes do advento da terapia secular moderna, pastores cristãos e outros líderes entendiam que era sua responsabilidade usar recursos bíblicos para atender às necessidades do ministério de pessoas que estavam enfrentando os tipos de dificuldades que o aconselhamento pretende resolver.
  3. Deus ordena a todos os cristãos que se engajem nos tipos de conversas que a nossa cultura chama de aconselhamento (Romanos 15.14).
  4. Os cristãos não devem agir como se a tarefa do aconselhamento fosse reservada apenas a uma classe especial de profissionais.
  5. Cada congregação local deve ter o compromisso de ser um lugar de cuidado e aconselhamento nos níveis leigo e pastoral.
  6. Os pastores, em particular, devem comprometer-se a aumentar suas habilidades de aconselhamento e a equipar suas congregações com conhecimento para aconselhar (Efésios 4.11–16).
  7. O fato de que os textos bíblicos específicos são suficientes e autoritativos para o aconselhamento somente quando são devidamente compreendidos requer que os conselheiros sejam excelentes intérpretes das Escrituras (2 Timóteo 2.15).
  8. Cristãos comprometidos com o ministério de aconselhamento não se envolvem meramente no “cuidado de almas”, mas no cuidado de pessoas inteiras feitas, compostas de corpo e alma.
  9. Cristãos que veem indivíduos como uma substância exclusivamente física, presumindo que todos os problemas são médicos, cometem erro relacionado à essência da natureza humana.
  10. Cristãos que apresentam intervenções físicas como solução para problemas espirituais cometem erro relacionado à essência da natureza humana — composta de corpo e alma.
  11. Cristãos que minimizam a importância do tratamento médico em seu cuidado de pessoas com problemas cometem erro relacionado à essência da natureza humana — composta de corpo e alma (1 Timóteo 5.23).
  12. Porque muitos problemas de aconselhamento ocorrem na interseção de questões físicas e espirituais, os conselheiros devem exercer humildade e evitar suposições excessivamente dogmáticas sobre a origem de alguns problemas da vida.
  13. Porque a vida em um mundo caído sempre acaba em morte, mesmo os problemas físicos óbvios não devem ser tratados como problemas fundamentalmente médicos, mas sim como oportunidades para aproximar-se de Deus em fé (Filipenses 1.21–26).
  14. Como a Bíblia não inclui o tipo de informação necessária para criar conhecimentos abrangentes e específicos da ciência médica, os conselheiros devem evitar que suas conversas no aconselhamento lidem com a prática da medicina.
  15. O conselho fiel deve abordar cuidadosamente as realidades espirituais das pessoas que lidam com atitudes internas de emoção, desejo, pensamento e consciência (Provérbios 20.5).
  16. O aconselhamento que não aborda as realidades internas da alma humana não ajudará as pessoas a mudar de forma que autenticamente reflita a vontade de Deus (Tiago 1.14–16).
  17. O conselho fiel abordará cuidadosamente as importantes realidades físicas do que significa ser um ser humano, lidando com questões práticas do comportamento (Romanos 6.8–14).
  18. Não é moralismo abordar questões práticas de comportamento, pois a Bíblia repetidamente faz isso de maneira fundamentada na pessoa e obra de Jesus Cristo (Efésios 4.20–32).
  19. Uma vez que o trabalho do aconselhamento ocorre fora da visão pública, as igrejas devem se dedicar para ter padrões de excelência em aconselhamento, garantindo que aqueles envolvidos na prática do aconselhamento possam ter o melhor cuidado possível.
  20. O ministério de aconselhamento deve estar comprometido em lidar com o pecado e deve insistir em chamar pecadores ao arrependimento nas conversas que tratem de pecado (Gálatas 6. 1–2).
  21. O ministério de aconselhamento deve estar comprometido em lidar com o sofrimento e deve buscar oferecer conforto àqueles que tem experimentado dores nesse mundo caído (2 Coríntios 1. 3–7).
  22. O ministério de aconselhamento deve estar empenhado em ajudar os fracos e em utilizar palavras de sabedoria para aconselhar com cuidados práticos e específicos (Tiago 2.14–17).

[Este texto, de autoria de Heath Lamber*, foi originalmente publicado no site da Association of Certified Biblical Counselors (ACBC). Traduzido e adaptado por Lucas Sabatier, e republicado mediante autorização.]

*Heath Lambert é Diretor Executivo da ACBC (Associação de Conselheiros Bíblicos Certificados) e Pastor Associado da Primeira Igreja Batista em Jacksonville, na Flórida. Ele é casado com sua esposa Lauren e tem três filhos: Carson, Chloe e Connor. Para outros recursos de sua autoria, confira o vídeo A Necessidade do Aconselhamento e a Centralidade de Cristo e o texto Aconselhamento Bíblico, Revelação Geral e Graça Comum.

Escrito por Lucas Sabatier

Lucas Sabatier é conselheiro certificado pela ACBC (Association of Certified Biblical Counselors) e mestrando em teologia prática pelo Southern Baptist Theological Seminary (Louisville–KY). É também advogado, formado em Direito pela PUC de São Paulo, e mestre em divindade pelo Faith Bible Seminary (Lafayette–IN, EUA). É casado com a Isabella, e pai da Ana Luisa e da Sophie.

Ver todos os posts do autor →

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *